O atual prefeito Eriton Ramos parece ter se metido numa verdadeira “laranjada” ao aceitar ser o sucessor do ex-prefeito Pitágoras Ibiapina. A gestão de Eriton, que começou cercada de expectativas, tem enfrentado desafios que vão além da crise estrutural herdada: há uma crescente insatisfação popular e sinais de desgaste precoce.
A saúde pública do município continua em situação precária, com relatos de falta de medicamentos, filas intermináveis e atendimentos deficitários. Para agravar ainda mais o cenário, obras como a da Central de Abastecimento já consumiram mais de R$ 30 milhões dos cofres públicos, sem que sequer 50% da construção tenha sido concluída. Ruas pavimentadas recentemente estão sendo destruídas pelas chuvas, evidenciando problemas graves na qualidade das obras — que, por sinal, foram realizadas com orçamentos bem acima dos custos praticados no mercado.
A situação dos servidores também chama atenção. Após as eleições, diversos trabalhadores foram exonerados e até hoje aguardam o pagamento de suas rescisões. Enquanto isso, a rescisão do ex-gestor foi paga sem obstáculos, gerando ainda mais revolta e sensação de injustiça entre os ex-funcionários e suas famílias.
Em meio ao caos administrativo, Pitágoras segue ileso: carismático, sorridente, circulando por bares, festas e eventos como se nada tivesse a ver com os problemas enfrentados hoje pela população. O contraste entre a imagem desgastada do atual prefeito e a leveza com que o ex-chefe do executivo transita no cenário político local levanta questionamentos: seria esse um movimento orquestrado? Estaríamos diante de mais uma jogada estratégica do casal que já dominou por anos a política municipal?
Ou, por outro lado, Eriton Ramos é mais uma vítima desse xadrez político — alguém que entrou numa “laranjada” achando que governaria com autonomia, mas que, na prática, apenas assumiu a conta dos erros do antecessor?
O tempo e, principalmente, a resposta popular nas próximas eleições dirão se Eriton será lembrado como cúmplice ou como mais um peão sacrificado no tabuleiro político da cidade.