O ato do agronegócio em Feira de Santana, neste sábado (6), não foi apenas um encontro de produtores rurais. O evento teve um peso político evidente ao reunir ACM Neto, João Roma e o prefeito Zé Ronaldo no mesmo palanque, com a presença especial de Isabela Suarez, presidente da Associação Comercial da Bahia.
O gesto sinaliza a consolidação da reaproximação entre Neto e Roma, que até pouco tempo estavam em lados opostos e hoje buscam retomar uma frente unificada da direita baiana. Isso, por si só, já é um recado ao governador Jerônimo Rodrigues (PT), que mantém sua base sólida, mas vê a oposição reorganizar forças em torno de lideranças de grande capilaridade eleitoral.
A presença de Isabela, contudo, foi o ponto que mais chamou atenção. Embora tenha negado reiteradas vezes qualquer intenção de disputar em 2026, seu nome ganha força nos bastidores diante do cenário de indefinições. José Ronaldo já deixou claro que permanecerá na prefeitura de Feira, Bruno Reis também sinaliza não abrir mão da gestão de Salvador e Zé Cocá segue como incógnita. Nesse vácuo, Isabela aparece como um quadro viável.
O diferencial de Isabela está em sua ampla influência. No meio político, ela transita com facilidade entre diferentes grupos, estabelecendo pontes e mantendo interlocução com lideranças de vários partidos. No setor empresarial, é reconhecida como articuladora e defensora de pautas estratégicas para a economia baiana. Além disso, conta com espaço considerável em parte da imprensa, que lhe confere visibilidade e reforça sua imagem pública.
Outro ponto que a destaca é o perfil pessoal: carismática, firme nas posições e vista como uma mulher de fibra, Isabela transmite a ideia de força e determinação, características que, em um cenário político ainda marcado pela predominância masculina, podem agregar valor simbólico e eleitoral a uma chapa majoritária.
Comparada à vice escolhida por Neto em 2022, Isabela reúne mais autonomia política e maior inserção social. Isso explica por que sua simples presença em Feira bastou para reaquecer especulações sobre uma eventual composição de chapa.
No tabuleiro da sucessão estadual, a oposição precisa construir não apenas nomes competitivos, mas também alianças sólidas capazes de dialogar com setores estratégicos da sociedade. O agro, em especial, tornou-se um espaço de disputa simbólica, já que ACM Neto insiste em afirmar que o PT “virou as costas” para o setor. Colocar Isabela, uma liderança empresarial