Museu da Vergonha: Prefeitura transforma Estação Ferroviária em símbolo de abandono e descaso

Não há limite para a contradição política quando se trata da gestão pública em Candeias. Prova disso é o vergonhoso estado de abandono da Estação Ferroviária, antigo símbolo da cidade e espaço que abrigou por anos a Secretaria Municipal de Cultura. O prédio, outrora pulsante de atividades culturais, hoje apodrece ao relento — tomado por infiltrações, lixo, fezes, ratos e usuários de drogas.

E o que faz a Prefeitura de Candeias diante desse cenário? Aprova leis — no papel. A Lei Municipal nº 1.501/2025, sancionada com pompa em abril deste ano, criou o Museu da História e Cultura de Candeias, prometendo transformar a Estação Ferroviária em um centro de preservação da memória local. Antes disso, em agosto de 2024, o prédio já havia sido tombado como patrimônio histórico municipal pela Lei nº 1.455/2024.

Na prática, no entanto, o que temos é um museu da hipocrisia institucional. Nada foi feito. Nenhuma obra, nenhum projeto visível, nenhum cuidado. O que se vê é um patrimônio tombado, literalmente aos pedaços, enquanto milhões são despejados em eventos de fachada e cachês milionários para artistas que vêm e vão — deixando no esquecimento a cultura viva, popular, comunitária.

Trata-se de um escárnio político com a memória de um povo. A Estação Ferroviária não é apenas concreto: é história, é identidade, é raiz. E vê-la transformada em abrigo de marginalização urbana, ignorada pelo poder público, é um golpe direto no coração cultural de Candeias.

Não adianta criar museu por decreto e deixar o acervo ao relento. Museu sem estrutura, sem segurança, sem preservação, não é espaço cultural: é farsa oficializada. A Prefeitura de Candeias não pode mais esconder sua omissão atrás de leis decorativas.

É hora do povo acordar. É hora de cobrar o básico: dignidade, respeito, preservação e compromisso com a história da cidade.

Enquanto isso não acontece, a velha estação segue lá: entre ratos e ruínas, esperando que alguém leve a cultura a sério.

Por Carlos Barbosa.